Fugindo totalmente do assunto do Blog (mais uma vez), gostaria de manifestar minha indignação com o evento acontecido em uma Faculdade de São Bernardo do Campo, São Paulo (se não sabe o que aconteceu, clique aqui, aqui, e aqui).
Mesmo estando no século XXI, as mulheres continuam sendo julgadas por suas roupas e aparência, desrespeitadas em seus direitos e objetificadas pela sociedade e pela mídia. Se não estou enganada Voltaire é o autor dessa famosa frase: "Posso não concordar com o que dizes, mas defendo até a morte o direito que tens a dizê-lo"; pois é isso, a gente pode até não concordar com as posturas de alguém ou suas ideias, mas daí a lhe cercear o direito de exercê-las e manifestá-las? Um absurdo! O mais triste em todo esse episódio, a meu ver, foi a reação das mulheres, que concordaram com a agressão e responsabilizaram a vítima pelo ocorrido.
Talvez, se as imagens que vimos tivessem como protagonista uma jovem de burca ou de origem islâmica, estaríamos todas horrorizadas e criticando seus agressores e a sociedade que propaga tal comportamento; vimos esse incidente em uma faculdade brasileira e as pessoas ficam pensando na aparência da jovem, insinuaram que fosse uma prostituta, ou concordaram que ela estaria querendo chamar a atenção. Em um artigo do jornal O Globo (clique aqui para lê-lo), Gloria Kalil criticou os agressores, mas sentenciou que a moça escolheu "roupa de balada" para o lugar errado. Que faculdades temos em nosso país que não nos ensinam a lidar com a diversidade e as liberdades individuais? Talvez se isso ocorresse em qualquer outro lugar não me incomodaria tanto, mas em uma faculdade preocupa, pois afinal, dali sairão futuros profissionais, educadores, líderes, etc. e que valores eles carregarão consigo?
Recomendo a leitura do manifesto de Caroline Dias Pinheiro, leitora do jornal O Globo, no qual ela sintetiza muito do que me passou na mente quando vi tal cena lastimável. Clique aqui para lê-lo.
Acrescento aqui o texto recomendado pela Natália: A Desgraça da dicotomia: pare o pedestal que eu quero descer, que é muitointeressante. Aliás, o blog Escreva Lola Escreva merece uma visita demorada, pois tem textos ótimos, vários dos quais abordando temas relacionados a esse evento: machismo, preconceito e maneira como a mulher é encarada na nossa sociedade.
Imagem retirada do site: http://www.pliger.net/blog/?p=100

O comentário da Glorinha Kalil foi mesmo lamentável, mas dela eu já esperava esse tipo de bobagem.
ResponderExcluirHá dois textos da Lola do Escreva Lola Escreva. Um deles pede que tire as mulheres do pedestal de "santa" adorada, pois é dali que se é apedrejada quando resolvem nos considerar "puta". Porque mulher, ao contrário de homem, há de viver nessa dicotomia. (Homem só cai em desgraça nesta sociedade machista se for homossexual.) Enfim, acho que você vai gostar de ler este texto http://escrevalolaescreva.blogspot.com/2009/11/desgraca-da-dicotomia-pare-o-pedestal.html
E claro que tem a ver com o tema da blog. Noiva é, antes de tudo, mulher, e a ofensa à moça da Uniban foi a todas nós.
Pois é, Natália, e justamente quando o homem se aproxima do feminino (mesmo que de forma caricata) ele cau em desgraça.
ResponderExcluirE ser noiva, ou mulher, não é viver atrás desses estereótipos de santidade, pureza, ou etc. Mulher é mulher, é cidadã e ponto final.
Vou ler o texto que você recomendou sim.
Bjs,
Dani
ah, a imagem q vc escolheu pra cá é tudooooo. temos tendência a acreditar que bárbaros são os outros. bárbaros são aqueles que mutilam ou apredejam mulheres, aqueles que estupram a irmã para desonrar o irmão endividado, etc. bem, a mentalidade está aí, aqui, em todo lugar. abuso moral não é menos violência.
ResponderExcluirpor outro lado, não digo da burca, que irã e afeganistão não são moleza, mas o véu que as muçulmanas usam é, por vezes, menos opressor do que os decotes e saltos altos que usamos aqui. afinal, aqui há a pressão de a mulher ser sensual até no trabalho, até em contextos nada a ver com sedução. achei mto interessante um estudo q afirmou q as latino-americanas eram mais embotadas sexualmente do q mts europeias dos biquinis gigantescos. e a gente aqui com o decotao e a minissaia sendo consideradas simbolos da sensualidade, enqto temos a sexualidade reprimidíssima.
enfim, desculpe-me pelos comentários longuíssimos, mas este assunto me tira do sério.
Nada, Natália! Fique à vontade. Adorei os comentários e o texto sugerido. Pq esse assunto tb me incomoda muito. Aliás, toda hipocrisia me incomoda.
ResponderExcluirO que mais me chamou a atenção nessa imagem é que a burca é um símbolo que remete ao islamismo, mas a Monalisa é classicamente ocidental, modelo de beleza e que fascina com o seu sorriso enigmático, que nada teria de recato.
Eu acho uma loucura que por um lado nossa sociedade estimule a erotização da mulher (e isso chega até as menininhas da mais tenra idade) e por outro, hipocritamente, oprime e julga sem direito à defesa quem se desvia do modelo do que se espera da mulher.
Entre os "outros", os "bárbaros", o jogo é limpo, pelo menos. É tudo muito claro, a norma é conhecida e quem se desviar dela sabe o que encontrará. O problema aqui para a gente, é que a norma é distorcida, nos apresentam uma pluralidade de modelos, mas não nos permitem escolha. Quando uma família tem uma filha, já sabe exatamente o que não quer para ela.
Bjs,
Dani
Oi danielle,
ResponderExcluireu vi a reportagem e nao consegui acreditar na reacao dos alunos, fiquei pensando que devia ter outro motivo pra aquilo que nao era o que contaram na reportagem. Mas parece que foi a roupa da menina mesmo, achei tao surreal que ainda nao consigo acreditar.
bjos
Oi, Thais!
ResponderExcluirÉ algo surreal mesmo, um bando de universitários perseguirem uma aluna por causa da roupa. As declarações de colegas da estudante são completamente absurdas e justificam o ocorrido. Uma loucura!
Bjs,
Dani
Também achei desproporcional a atitude dos alunos... não entendi tamanha comoção... deixa a menina com o vestido rosa dela, ué...
ResponderExcluirOi, Danii
ResponderExcluirsabe o que mais me impressiona nisso tudo??? É que não tinham só homens durante todo o acontecido, tinham mulheres também... o que me preocupa, pq a gente sabe que a sociedade é machista e os homens contribuem bastante para isso... mas esse tipo de coisa partir de mulheres também????
é bem complicado e triste... pelo menos é o que eu acho!!
beijinhos, ju
Oi, Melissà! Tudo muito desproporcional e desnecessário.
ResponderExcluirE realmente, Ju, o que me entristeceu foi que não só as mulheres participaram de tudo, condenaram a moça e ainda endossaram o discurso dos agressores.
Bjs,
Dani