Desde a infância ouvimos histórias de finais felizes em contos de fadas, assistimos filmes e lemos sobre isso (em casa, pelo menos, tivemos uma coleção de livros de contos de fadas que meu pai lia para nós quando éramos pequenas e que depois líamos sozinhas, além de discos - coisa da era pré-histórica antes do DVD - que tocávamos sempre que queríamos confimar que a mocinha viveria "feliz para sempre" com seu príncipe).
Quando escrevo "desde" é porque permanecemos em contato com as histórias nos mesmos formatos daquelas dos contos de fada da infância, pois Hollywood soube muito bem adaptá-las vestindo a antiga princesa nas mais diferentes roupagens: secretária, prostituta, adolescente nerd, entre outras.
Quando escrevo "desde" é porque permanecemos em contato com as histórias nos mesmos formatos daquelas dos contos de fada da infância, pois Hollywood soube muito bem adaptá-las vestindo a antiga princesa nas mais diferentes roupagens: secretária, prostituta, adolescente nerd, entre outras.
Eu fiquei pensando o que será que esses ideais aos quais fomos expostos durante toda a vida têm nos ensinado?
Um livro que li na faculdade me marcou bastante, ele se chama O Grande Massacre de Gatos: e outros episódios da história cultural francesa (as análises e a narrativa do Robert Darnton são tão interessantes que só o primeiro capítulo, que trata das histórias e do folclore do campesinato francês, já vale a compra). Com ele eu aprendi sobre os símbolos e demais significâncias que nos são passadas até nas mais simples histórias. Em uma sociedade onde a cultura era passada primordialmente por via oral, as histórias - muitas das quais ainda contamos às crianças de hoje com algumas alterações, como é o caso de Chapeuzinho Vermelho - tinham um papel importante no aprendizado de alguns valores e comportamentos considerados adequados e de uma certa "moldavam" os sentimentos daquelas pessoas.
Um livro que li na faculdade me marcou bastante, ele se chama O Grande Massacre de Gatos: e outros episódios da história cultural francesa (as análises e a narrativa do Robert Darnton são tão interessantes que só o primeiro capítulo, que trata das histórias e do folclore do campesinato francês, já vale a compra). Com ele eu aprendi sobre os símbolos e demais significâncias que nos são passadas até nas mais simples histórias. Em uma sociedade onde a cultura era passada primordialmente por via oral, as histórias - muitas das quais ainda contamos às crianças de hoje com algumas alterações, como é o caso de Chapeuzinho Vermelho - tinham um papel importante no aprendizado de alguns valores e comportamentos considerados adequados e de uma certa "moldavam" os sentimentos daquelas pessoas.
Então, afinal, o que aprendemos hoje nos livros e filmes e seus "felizes para sempre"?
Em Cinderela, analisando cuidadosamente, percebemos que tudo se resume na seguinte fórmula: a menina é bozinha e tem uma vida horrorosa, é atormentada pela madrasta e suas filhas, etc., mas no fim das contas, magicamente, conquista um príncipe que se apaixona por ela e a tira daquela vida. Tudo sem muito esforço, mas de forma a dar esperança de que um dia tudo muda... e tem gente que ficava assim, esperando um príncipe de uma terra distante aparecer. Outro caso semelhante: Branca de Neve, que tinha uma madrasta malvada que tentou matá-la, mas ela foge, se esconde na floresta e um príncipe a resgata do sofrimento.
E o que falar de Wendy e Peter Pan? A mocinha que se apaixona por um rapaz que nunca crescerá e vive num mundo no qual ela só tem acesso se ele levá-la? Semelhanças com algum relacionamento que você já teve? E a Ariel, a pequena sereia que muda quem ela é para conhecer seu príncipe?
Eu acho que muitas dessas histórias influenciam o nosso imaginário e condicionam as nossas expectativas. Quem se dá conta disso, esforça-se para mudar. Caso contrário, fica naquele dilema da Princesa e o sapo (quem não lembra dessa?). Um dia ela encontra um sapo, que na verdade era um príncipe amaldiçoado, e o beija e ele volta à forma original. Outro caso para ser tratado com o analista. Porque mulher faz isso: encontra um cara e fica pensando em transformá-lo, porque lá no fundo, bem no fundo mesmo, ele é um príncipe, pronto para resgatá-la da mesmice.
Mas por que essas reflexões em plena segunda-feira? Por duas razões: uma, foi o trailer do filme da Disney, A Princesa e o Sapo. Essa nova versão apresenta uma mudança radical em relação à que conhecíamos: quando a mocinha beija o sapo, ao invés de transformá-lo é ela quem também vira um anfíbio. Metaforicamente, levou-me a pensar que talvez a chave seja essa: ao invés de esperar pelo príncipe - que pode não vir -, o negócio talvez seja se desprender dos preconceitos, sair daquele lugar de conforto, superior, onde julgamos todos os outros (coloco no plural, pois faço isso às vezes) e parar de ficar idealizando os relacionamentos e pensando em mudar os outros, pois na realidade não somos princesas, mas sapos como eles, com nossos defeitos e imperfeições.
Já o segundo motivo, foi algo que me deixou um pouco triste, pois quando um adolescente afirma que encontrar o amor verdadeiro é coisa para 'alienígenas' é porque há algo de errado com a nossa sociedade e seus valores. Porque nem tanto nem tampouco: não é possível vivermos à espera do conto de fadas se realizar exatamente como nos livros, mas não ter qualquer esperança de que é possível encontrar um amor com o qual sejamos felizes também é algo por demais desanimador.
Nós, que futuramente seremos mães e tivemos o privilégio de conhecer o amor - nas mais variadas formas nessa vida, graças a Deus! - temos que pensar em como ensinar que é possível encontrá-lo, mesmo sem o "felizes para sempre", mas com um bastante felizes a maior parte do tempo, com alguns desentendimentos, mas muita compreensão, companheirismo e amizade.


Meu conto de fadas deu certo... Sei lá... O Príncipe torce pro Corinthians, corta a unha do pé na minha frente e usa aparelho, mas pra mim é P.E.R.F.E.I.T.O.!!!!!!!!
ResponderExcluirMas é claro que deu, e você vai casar com ele (e torço para que sejam muito felizes).
ResponderExcluirSe de repente você ficasse presa ao estereótipo dos livros, talvez não desse... rs
Eu espero que o meu também dê certo.
Bjs,
Dani
Cara Dani... vc não vai acreditar. Agora de manhã fui conversar com um amigo do trabalho (ele será um dos meus padrinhos de casamento) exatamente sobre esse assunto... Bem, como nada é por acaso... já até passei o link deste texto para ele ler!!! hehhee
ResponderExcluirAcho que é justamente isso que vc falou, temos que trabalhar internamente para mudar esse conceito que é colocado na nossa cabeça. Eu mudei...
Sei que o principe encatado da disney não existe... por isso é que eu falo que não importa a quantidade de afinidades que o seu futuro marido tem com vc... vc tem que analisar o quanto os defeitos dele te incomodam, pq isso pode trazer frustrações para o relacionamento. Temos que ter a consciência que não mudamos ninguém e ninguém muda pela gente. As pessoas mudam pq é conveniente a elas...
E o mais importante de tudo, relacionamento não é uma prisão, a outra pessoa não te pertence e a palavra respeito tem que estar PRESENTE em cada ato!
O resto é o aprendizado do dia a dia!
beijocas, ju
Com certeza, Ju! Falou tudo! E é uma mudança que a gente tem que desejar e trabalhar diariamente...
ResponderExcluirLembro de uma fala do pastor do casamento da minha futura madrinha que dizia que a aliança não é símbolo de opressão, mas de liberdade, da nossa liberdade de escolher aquele que desejamos desposar. E é isso que eu penso. Para conviver com alguém nós temos que aceitar os nossos defeitos e os dele, pensar se saberemos tolerá-los, se eles superam ou não as virtudes... fazer um balanço mesmo.
Bjs,
Dani
oi! o blog escreva lola escreva falou, recentemente, em dois posts sobre como essas histórias botam a mulher em um lugar menor. fico feliz q sua fase de "planejamento do casamento" vai mto alem de fechar porta-guardanapos. bjsss
ResponderExcluirOi Dani,
ResponderExcluirconcordo com vc. Primeiro nao gosto dessa atitude de que as mulheres indefesas precisam encontrar o principe que lhes faca felizes. Nos nos fazemos felizes e somos felizes junto com a outra pessoa. Nao eh um dever do outro te fazer feliz.
Outro dia assisti a um episodio de Being Erika, uma serie que eu adoro, em que dizia que nos precisamos sair da caixinha que criamos em torno de nos mesmos, tipo, abrir mais a cabeca e parar de ver tudo como nos foi ensinado, programado, pensar alem... out of the box.
Acho que eh por ai, muita mulher fica infeliz, ou se sente mau sucedida, soh pelo fato de nao ter encontrado o principe dos contos, mas o "sapo" bem ao lado poderia te-la feito a mulher mais feliz do mundo... Expectativa atrapalha muito neh.
Na mesma serie tinha uma frase que eu gosto muito, forget "the one" and love "the none".
bjos,
Thais
Oi, Natália!
ResponderExcluirRealmente os "preparativos" têm que ir bem mais além. Eu certamente fecharei porta-guardanapos, falarei aqui no blog de coisas bem mulherzinha como flores, toalhas e estampas. Mas há também outras preocupações... Até pq eu não segui aquelas regras para conquistar marido (você se lembra que há pouco tempo havia uma moda dessas regras do tipo: não atender o telefonema dele depois de tal hora, não falar de si mesma, só aceitar convites até 5a feira, etc).
E fico feliz que você seja minha leitora, pois sou sua fã! :)
Vou ler esses posts que você comentou. Pq eu acho que há um lado bom e um lado péssimo nessas histórias.
Bjs,
Dani
Pois é, Thais!
ResponderExcluirÉ uma questão de mudar a perspectiva e colocar a felicidade como meta pessoal e não como algo que você encontrará em alguém. Além disso, quando você pensa em fazer alguém feliz, acho que o relacionamento fica muito mais fácil... pq é complicado colocar tantos encargos sobre o outro.
Bjs,
Dani
Dani,
ResponderExcluirsó para complementar... se eu tivesse seguido essas regras quando conheci o rodrigo provavelmente não teria dado tão certo! Um dia conto a história com calma lá no blog, mas falei tantas verdades e de forma tão aberta quando o conheci que era para ele ter saído correndo!!! Não tem aquele filme "como perder um homem em dez dias"? o meu seria "como assustar um homem algumas horas" hehehhe
Ainda bem que somos mulheres com a cabeça aberta para assimilar novas padrões e quebrar paradigmas!!
bêju!
Oi, Ju! Entendo perfeitamente... rs
ResponderExcluirNo nosso primeiro encontro, também falei várias coisas para o Márcio que eu tinha quase certeza que ele ia fugir. Felizmente, estávamos em sintonia e sinto que não preciso seguir nenhuma dessas regrinhas bobas (até pq não existe fórmula mágica e cada um é de um jeito né?).
Bjs!
Ihhh Dani, pensei diversas vezes assim... que desde crianças criamos uma fantasia pois somos levadas a isso, decidi que não iria casar, que não ficaria neurotica como essas mulheres a procura do homem perfeito, da companhia, por medo de viver sozinha, a procura do par perfeito que te faria feliz o resto da sua vida... mas, adivinha o que aconteceu? rsrs Nem procurei e ele me encontrou. Ele não é perfeito, não é um principe, é cheio de defeitos e as vezes me irrita imensamente... mas a gente se gosta muuuito, ele me completa então ser um principe nem é tão importante, sapos as vezes me atrai ;)
ResponderExcluirOi, Brena! Acho que acaba sendo assim mesmo, né? A gente vai mudando o olhar a respeito das coisas ao longo do tempo. Com o noivo também foi assim, quando achava que esse negócio de casamento não era para mim, ele apareceu do nada... rs
ResponderExcluir:)
Bjs!
Olá!
ResponderExcluirDê uma pasadinha no meu blog. Acho que vc vai gostar!
bemlembrados.blogspot.com
Beijos;
Marina
Oi Daniiiiiiiiiiiiii....desde Já um FELIZ Natal à vc, ao seu noivo e a todo a sua família...
ResponderExcluirViu que fofinha a decoração? viu as gipsos q te falei??? lindinhas não? adoro gipsos
E as toalhas foi rompante q tive....rsrsrsrsr...a Juju estava certa de querer as de richilieu, saímos para escolher as toalhas, qdo chegamos em uma das lojas de locação aqui de sampa e vimos essas, na horaaaaaaaaaaaaa decidi misturar as 3...rsrsrssrsr....ficou bem legal!
beijos
Jan
Oi Dani, tudo bem?
ResponderExcluirConheci seu blog através do blog da Lu de Recife(luadois). Compartilho da sua opinião sobre a "transformação" e acredito que a idealização "mata" muitos dos relacionamentos que poderiam ser mais duradouros. E mais, acredito que o senso da beleza e estética estão sendo cada vez mais questionados. Onde surgiu essa ideia que para ser feliz e realizada precisamos ser lindas, olhos claros, magras e altas?! Acredito que a sociedade (especialmente a norte-americana) tem voltado muito a atenção sobre este assunto, visto até pelo sucesso que seriados como Ugly Betty ou mais recentemente Drop Dead Diva (advogada bem-sucedida e gordinha) têm feito no país.
O princípe e a princesa daquelas histórias que ouvíamos na infância não existem, mas certamente toda a chama do amor sensível e apaixonado de princípes que escalavam muralhas e desafiavam dragões e de princesas que sonhavam que um dia moderiam viver 'felizes para sempre' sempre vão existir. Independente do que seja possível compreender como "sempre".
Oi, Fernanda! É engraçado que alguns meios questionam esse padrão imposto de beleza e estética, enquanto por outro lado, continuamos sendo massacradas por eles. Para cada seriado desses que você citou - e que são ótimos! - você tem outros tantos que nos passam exatamente a mesma sensação de que estamos muito distantes do padrão estabelecido. Não assito novelas, mas percebi como finalmente na Globo temos uma protagonista negra no horário nobre que além de tudo assume os seus cachos e seu cabelo natural. Ainda que a Thais se aproxime mais do padrão europeu, já é um pontinho de mudança. Mas infelizmente não é geral. Os cabelos lisos, louros, e a magreza extrema ainda permanecem como ideal que quase todas devemos (ou deveríamos) ambicionar.
ResponderExcluirMas o amor, nisso tudo, felizmente ainda aparece em suas variadas formas e respeitando as variadas formas de todas as mulheres e suas belezas.
Bjs,
Dani
Oi mozao. Eu acho que se comparar os principes reais com os principes dos contos de fada o melhor exemplo seria o shrek. Ele peida, ronca, arrota, tem pe fedido, as vezes pode ser feio... mas gosta da gente, cuida da gente e é lindo por dentro - quero dizer, ninguem e perfeito que nem os principes dos contos de fada. Ou como vc mesma falou, nao eh 100 por cento felicidade, mas vale muito a pena subir nesse pangare capenga dos nossos principes.
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