Estive pensando esses dias na questão da boa forma que se tem exigindo das noivas.
É notória essa preocupação dadas as incontáveis menções nos blogs, dicas nas revistas, em comentários no grupo do Yahoo, etc. É, sem dúvida nenhuma, uma questão de peso e sei que eu, certamente, não poderia aconselhar ninguém a respeito da melhor maneira de adquirir uma boa forma física; quem me conhece sabe que estou absolutamente sedentária, minha única atividade diária, enquanto uma noiva proletária que não dirige, são minhas (muitas vezes longas) caminhadas de um lado para o outro da cidade em meus deslocamentos. Então não espere nenhuma dica para entrar em forma (e afinal que forma é essa?).
Hoje em dia nada tenho a ver com a pessoa não-sedentária que fui no passado. Até a adolescência eu fui uma pessoa bastante ativa e poderia ser considerada atlética, praticava exercícios e atividades físicas, nadei por vários anos, etc. Por praticamente metade de minha vida eu me dediquei a isso não como obrigação, mas por prazer, gostava de jogar vôlei com os amigos nas férias, andava de bicicleta, ... mas por uma razão ou outra, talvez pelo meu retorno ao Rio de Janeiro (eu morei dos 6 aos 12 anos em uma cidadezinha do litoral de São Paulo), talvez pelas minhas convicções e para defender valores (algumas pessoas dizem que eu sou do contra e levo tudo muito à sério) acabei reduzindo o ritmo e abandonando um pouco tudo isso para me posicionar. Graças ao (abençoado) metabolismo dessa fase, eu podia me dar ao luxo até mesmo de almoçar diariamente hambúrguer com batatas fritas e comer tortas de sobremesa e não engordar nada. Com o tempo, isso foi mudando. Na faculdade eu percebi que o metabolismo foi ficando mais lento e que qualquer estripulia alimentícia podia fazer o ponteiro da balança avançar, mas nunca me fez ficar anotando em um papelzinho cada caloria que ingeria. Pelo contrário.
Confesso que como era magra, isso nunca foi uma grande preocupação na minha vida. Eu me cuidava e mantinha (como ainda mantenho) uma alimentação saudável por achar importante me cuidar para evitar perturbações futuras; tentei várias vezes manter-me em uma academia (mulher que não malha parece ser de outro planeta!), mas logo me enjoava de todo o culto ao corpo e bobagens que permeavam aquele ambiente e que nem o mais poderoso aparelho de mp3 conseguia abafar. A única atividade que consegui manter já na idade adulta por mais tempo foram minhas aulas de Pilates, que adorava, mas que depois, por conta do trabalho, eu tive que abandonar e ainda sinto falta.
Hoje, 11kg acima do que considero(am) o ideal para mim (6kg que ganhei ano passado e mais aqueles 5 que toda mulher acha que tem que perder), não me tornei neurótica com meu peso ou me sinto menos feliz ou satisfeita com a minha aparência. Aliás, talvez esses quilos sejam o peso que acompanham o conhecimento e a sabedoria. Durante praticamente toda a minha adolescência eu estive insatisfeita com a imagem que via no espelho: me achava gorda (e provavelmente aquela foi a melhor forma física que eu terei em toda a minha vida) e até os 14 anos eu me escondia embaixo de bonés e largas camisetas, não gostava do meu cabelo cacheado, morria de vergonha de usar aparelho, etc, porém, depois de um tempo acabei percebendo que o motivo de tudo isso não era efetivamente a minha aparência, mas o fato de não me encaixar em um modelo preestabelecido que eu via constantemente na mídia e com o qual convivia desde os tempos que brincava de Barbie (eu nunca teria aquela cinturinha mínima ou as pernas longuíssimas). Quando descobri que do alto do meu 1,57m e com meus cabelos cacheados eu não me encaixava naquele modelo fechado de beleza, encontrei uma certa paz de espírito, pois independente do que eu ouvia eu podia viver o meu modelo. Não que eu não seja vaidosa e me preocupe em estar linda como a maioria das mulheres, que não aspire estar no seu melhor no diariamente e sobretudo no dia do meu casamento, mas eu simplesmente percebi que isso não é o mais importante e que não vale as loucuras que muitas vezes vemos pessoas tão bonitas fazerem. Ou vocês não têm uma amiga que mesmo não precisando toma algum remédio para emagrecer ou vive fazendo dietas extremas?
Por muitos anos ouvi (mesmo da minha família) gracinhas sobre meu cabelo e por incontáveis vezes, em idas ao salão, profissionais me prometeram soluções mirabolantes para eu ter cabelo liso. As gracinhas, quando esporadicamente surgem, eu as ignoro, e os tratamentos, bem, hoje, eu exibo orgulhosa meus cachos que aprendi a gostar e compõem a minha personalidade (devo muito ao Seda Hidraloe!).
Eu não acho que exista uma fórmula para nos sentirmos bem. Talvez seja um exercício diário e constante, provavelmente passa pela construção de uma autoestima bem embasada. Mas em todo caso eu acho que conduz a uma aceitação de quem somos verdadeiramente...
Nessas férias, estava lendo o jornal quando na tv começou o programa Mais Você, da Ana Maria Braga, e me chamou a atenção o fato de estarem debatendo exatamente esse tema, da beleza fora dos padrões impostos pela indústria da moda e pela própria mídia. Ainda que não se tenha questionado de maneira contundente o papel dos meios de comunicação e a ditadura à qual se submete inclusive a apresentadora do programa que, consciente ou inconscientemente, corre atrás de uma fórmula para manter uma (eterna) juventude fabricada. Esse ideal que tem alterado a percepção das mulheres e da sociedade de um modo geral sobre a velhice.
Incomoda-me o fato de se cobrar a perda de peso a uma noiva (e exclusivamente a ela!) para o dia do casório (se ela e o noivo estiverem satisfeitos com o peso, qual é a questão? Afinal, se ele não curtisse sua noiva por inteiro não estaria casando com ela). No meu caso, se até o dia do meu casamento eu vier a perder os meus quilinhos-extra (de forma natural e saudável, sem exageros, de modo a não ferir meu corpo ou meus valores) será por opção minha, por desejar retomar atividades físicas, por querer cuidar melhor de mim mesma, e não porque é uma obrigação da noiva (uma pergunta: a gente vai continuar trabalhando e estudando, vai organizar um casamento, resolver mil coisas e ainda teremos que ficar neuróticas controlando a balança?)
Não quero e não serei uma noiva supermagra (vocês têm reparado nos palitos que eles usam para expor-nos as suas criações? Mulheres magérrimas, pálidas, sem seios e formas femininas?) e blasê, com os mesmos cabelos e maquiagem que vemos nas revistas e editoriais de moda Desejo sim ser uma noiva alegre, esboçando no meu sorriso e nos meus olhos a felicidade daquele momento. E se Deus quiser será isso o registrado nas nossas fotos: essa alegria que parece não caber no peito e o amor que transborda no olhar que tenho visto em fotos de noivas lindas, felizes e satisfeitas consigo mesmas.
Uma delas foi a Natália, por cujo casamento estava esperando ansiosamente. O Juntando os Dicionários, o blog que ela escreve, foi o primeiro que passei a acompanhar (e ela foi minha primeira seguidora, quando comecei a escrever por aqui os rascunhos do meu planejamento) e com o qual muito aprendi. Mesmo virtualmente, passei a admirar as suas posições, seu bom humor e a maneira como ela lidava com todas essas neuras de noiva. E como esperava, a primeira foto da mais nova integrante do time das casadas traduziu a verdadeira alegria que esperamos de uma noiva, com um sorriso aberto e rasgado. Como tem que ser...
Como disse anteriormente, blog também é terapia, e eu realmente precisava desabafar e registrar isso, porque acho importante que a cada dia a gente pare e reflita um pouquinho sobre certos dados da realidade que parecem tão óbvios. Eu temo essa obsessão e o tipo de sociedade que estamos construindo.
Se você está lendo esse texto e é magra, se cuida, malha, tem cabelo liso, etc., isso não é uma crítica a você ou a seus hábitos. O que na verdade me aborrece é essa cultura de massa que nos impõe valores e anseios que não são nossos. É essa cultura que diariamente massacra a mulher e tenta nos coisificar e reduzir a um corpo ou a nossa juventude. É essa mídia idiotizante que me chateia com suas bundas expostas constantemente e depois nos exige sacríficios mil, pois devemos pesar 47kg; que um dia critica o uso de modelos magérrimas nos desfiles de moda, mas faz o mesmo nas suas novelas, com atrizes cada vez mais magras; que diz que a diversidade é bacana, mas não mostra mulheres que fujam a um padrão de beleza mais próximo do europeu que da nossa realidade de mulheres mestiças e diferentes (levanta a mão quem é loura, alta e de olhos claros e parecida com a Gisele Bündchen ou a Ana Hickmann). Isso que me chateia. E muito.




Dani, fico pensando exatamente isso, fora toda a pressão e as mil coisas a serem resolvidas para o casório ainda há a cobrança de nos encaixarmos em um padrão boboca, não vejo muito motivo para noivas que estão um pouco acima do peso ideal ficarem tão loucas, eu, pessoalmente, resolvi encarar uma dieta antes de casar porque estou obesa, nos últimos cinco anos engordei quase 40 kg, me sinto mal e achei que esse era um ótimo estímulo.Não ligo nem um pouco em ser gordinha, mas me incomoda muito ser gordona, kkkk.
ResponderExcluirTbm adoro meus cachos, todo mundo diz: faz escova disso, escova daquilo, mas caramba não troco meu cabelo por nada, é muito meu, sabe, rsrsrs.
Olha,tenho PAVOR de academia, tô tentando ser forte e cortar as zilhões de besteiras que eu como por dia.Me deseje sorte, pq a jornada é árdua,kkkkkkk.
Bjussssssss
Oi, Biana! Toda a sorte para você e muita força pq são essas besteirinhas que realmente engordam (e foi justamente o que me engordou nos últimos tempos: fico ansiosa e como doces!).
ResponderExcluirAcho ótimo você querer perder peso, pois fará bem a sua autoestima e saúde. Mas de qualquer maneira, você os perderá não para seguir esses ideais malucos... e isso é ótimo. Tenho certeza que será um noiva linda em outubro.
Bjs,
Dani
:) noivas gordinhas e felizes, ativar!
ResponderExcluirOi Dani,
ResponderExcluiresse culto a beleza eh irracional na minha opiniao, ate pq, beleza depende do referencial. Na Inglaterra por exemplo as mulheres fazer baby liss diariamente pq todo homem vira o pescoco pra um cabelo cacheadao, e aqui todo mundo alisa pq eh o padrao que agrada mais. Eh tudo questao de referencial.
Mas por outro lado nao sou a favbor de dizer to gorda mas to feliz, pq pra mim agente tem que estar saudavel, e gordura muitas vezes eh sim sinonimo de problemas de saude (glicose, coracao etc). Sou a favor de malhar ou fazer qualquer tipo de exercicio pra ficar saudavel sim!!! Claro que tambem tem muita magra com problema de saude, eu mesma, jah tive colesterol altissimo mesmo sendo magra, isso eh um perigo. Temos que comer bem e tentar ser saudavel, isso nao quer dizer seguir padroes de jeito nenhum...
Ate pq as modelos, no geral, tem disturbios e nas revistas passam por muito photoshop!!!
bjos
Resumindo, sou contra a apologia a magreza, mas sou contra a apologia a gordura, sou a favor a apologia a saude, essa sim tem que ser buscada com empenho...
ResponderExcluirbjos
oI, Dani,
ResponderExcluireu sou contra o culto da beleza, e como sou boa de garfo e adoro um docinho, sempre estou um pouquinho acima do "peso ideal". Apesar de todos que me conhecem dizem que sou magra, mas consigo manter um certo padrão pq malho. Até encontrar uma atividade que eu goste demorou... ou melhor, encontrar uma academia que eu me sentisse bem. Já passei por algumas e hoje estou em uma que me sinto bem, gosto da maioria dos professores e das pessoas.
Eu já faço academia há uns cinco anos. Tem meses que vou mais, outros que estou mais cansada por algum motivo e dou uma relaxada. Mas eu malho principalmente para ter saúde. Tenho problema na coluna, e quando fico duas semanas sem ir na academia o meu corpo sente falta... tenho torcicolo... ou seja, preciso fortalecer os musculos das costas e alongar constantemente.
Então, atualmente ir a academia virou uma questão de saúde. Por isso me esforço para ir sim. E com isso posso cometer minhas orgias gastronomicas que tanto gosto! Fico falando que adoro brincar de pique-baleia! rs
Para o casamento estou dando uma itensificada nos treinos e tentando reduzir o brigadeiro de todos os dias (desde o inicio de fevereiro). Não preciso comer doce todos os dias, né? até pq doce é uma droga e vicia. Então, ao invés de cometer orgias gastronomicas 5 vezes na semana, estou tentando me restringir ao final de semana.
Vamos ver se dá resultado, né?
beijos, ju
Meninas, adorei ler os comentários e opiniões de vocês sobre o assunto. Saúde realmente é o mais importante nessa questão toda.
ResponderExcluirJu, com certeza dará resultado!
Bjs,
Dani
Muito bom! Adorei a foto da noiva afundando o bolo. A questão é, vc gosta de fazer exercícios sim, mas não tem oportunidade de praticar o que vc gosta como o pilates ou natação ...
ResponderExcluir