terça-feira, 27 de outubro de 2009

O Pequeno Príncipe

Não à toa o livro O Pequeno Princípe de Antoine de Saint-Exupéry é um clássico da literatura e se tornou tão célebre (tudo bem que, em parte, a popularidade se deveu a ter sido tantas vezes citado nos desfiles de Miss): a história do príncipe-menino e do piloto que se encontram em pleno deserto, provenientes de mundos diferentes e com visões tão diversas da vida, pode, a princípio, parecer uma história infantil. Porém, ela ultrapassa essa impressão inicial. Exupéry aponta o absurdo das nossas vidas e de nossos sentimentos, através das personagens do rei, do homem de negócios e tantos outros, mas também fala do amor e do cuidado com uma singeleza e, ao mesmo tempo, de maneira tão incisiva, que é impossível ignorar suas palavras.

Do diálogo travado entre o Pequeno Príncipe e a raposa, há aquela famosa frase: "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas". Eu, particularmente, além dessa guardo na mente o segredo guardado pela raposa: "Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos."

E porque afinal estou escrevendo sobre O Pequeno Príncipe em um blog que é o diário do planejamento de um casamento?

Há uma explicação racional. Eu queria escrever um pouco sobre as coisas que ligam as pessoas e que de repente fazem com que sejamos "cativados" de tal modo que não há mais retorno, pois o "essencial é invisível para os olhos"...

Foi assim com Márcio. Logo que o conheci, ele me declarou o quanto gostava desse livro. Fazia pouco tempo que o tinha lido e ainda tinha vários de seus trechos na mente, mas ele não tinha o mesmo significado para mim que tinha para alguém que o tinha como livro de cabeceira e o lera diversas vezes.

Enfim, foi com ele que em pouco tempo entendi aquilo sobre o que Exupéry escrevera. O nosso relacionamento era norteado por essa preocupação em cuidar de quem que se ama e essa dedicação. Um cuidado diário, semelhante ao afetuoso ritual do principezinho com sua rosa temperamental: ele a regava, cuidava para que não tomasse correntes de ar e ela tornou-se única, ainda que no universo houvesse outras milhares semelhantes; mas nunca iguais, pois ele não mantinha com elas o relacionamento que construíra com a sua rosa, ele não as cativara.

Carinhosamente, noivorado me chamava de "rosa" e dizia que era o meu "pequeno príncipe". Eu não gostava de ser chamada assim, pois sou um tanto feminista (mas acredito em casamento!) e ela personificava um ser cheio de caprichos e que maltrata aquele que tanto lhe quer bem. Porém, com o tempo, eu entendi o que ele queria dizer com isso. Ele me regava a cada dia com seu amor e então se tornou único para mim e eu para ele. A raposa, mesmo com a tristeza da despedida, se alegrava em ter ganho os campos de trigo; eu me alegro a cada dia, porque tantas coisas se tornaram especiais...e me lembram do "principezinho".


E se sei que tu vens às quatro, "desde as três eu começarei a ser feliz".




10 comentários:

  1. Oi danielle,
    que vergonha, acredita que eu nunca li esse livro, preciso ler urgente!!!
    bjin,
    Thais

    ResponderExcluir
  2. Thais,
    recomendo muitíssimo a leitura. Eu demorei muito a lê-lo pois tinha um pouco de preconceito e adorei. Os outros livros do Exupéry também são ótimos.
    Bjs,
    Danielle

    ResponderExcluir
  3. Ah! Agora eu entendi porque minha mãe chamava ele de príncipe!

    ResponderExcluir
  4. Oi, Dani, que texto lindo!! Lindo, lindo, lindo! A vida é tão corrida que as pessoas se esquecem da beleza dos sentimentos e dos relacionamentos. Se afundam em problemas muitas vezes que não existem a não ser em suas cabeças e perdem a sensibilidade de ler, compreender o real sentido de textos como o do Pequeno Principe.

    Hoje recebi um desses emails de piada que gostei muito e acho que se encaixa no assunto:
    "Durante a era glacial, muitos animais morriam por causa do frio. Os porcos-espinhos, percebendo a situação, resolveram se juntar em grupos, assim se agasalhavam e se protegiam mutuamente; mas, os espinhos de cada um feriam os companheiros mais próximos, justamente os que ofereciam maior calor.
    Por isso decidiram afastar-se uns dos outros e voltaram a morrer congelados. Então precisavam fazer uma escolha:
    ou desapareceriam da Terra ou aceitavam os espinhos dos companheiros. Com sabedoria, decidiram voltar a ficar juntos...
    Aprenderam assim a conviver com as pequenas feridas que a relação com uma pessoa muito próxima podia causar, já que o mais importante era o calor do outro.
    E assim sobreviveram!
    Moral da História:

    O melhor relacionamento não é aquele que une pessoas perfeitas, mas aquele onde cada um aprende a conviver com os defeitos do outro e consegue admirar suas qualidades. "

    beijocas, ju

    ResponderExcluir
  5. Oi, Ju!
    Obrigada! Esse texto dos porcos-espinhos também é lindo e super-profundo, pois às vezes nos concentramos tanto nas feridas e não em tudo aquilo que a convivência com o outro nos proporciona.
    Bjs,
    Danielle

    ResponderExcluir
  6. Danii, respondendo o seu cometário no meu blog... aonde vc leu essas dicas de como sair das saias-justa com convidados da cerimonialista Manu?

    ResponderExcluir
  7. Minha parte favorita é essa mesmo, quando a rapousa ensina o que é cativar... lindo demais!

    ResponderExcluir
  8. Rapousa? To louca? Raposa!!! Disfarça =B

    ResponderExcluir
  9. Ju, se não estou enganada foi no livro dela. Vou procurar quando chegar em casa e passo para você (deixo um coment. lá no blog, tudo bem?).
    Pq já li várias dicas dela, algumas no blog, outras nos textos que ela escreve para revistas e tb no livro.
    Bjs,
    Dani

    ResponderExcluir
  10. Oi, Melissà!
    Obrigada pela visita, e realmente essa parte do livro é linda. Ele todo é uma delícia de ler, mas quando a raposa começa a falar sobre o ato de cativar... adoro!
    Bjs,
    Dani

    ResponderExcluir

Queridas, adoro saber a opinião de vocês! Comentários são sempre bem-vindos.